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A paz baseia-se no respeito por nós próprios e pelos outros

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 08.01.16

Foi a partir dos debates presidenciais que me surgiu este filme de Nicholas Ray, Johnny Guitar. Neste filme temos os heróis solitarios e corajosos, os malandros deste mundo, e o grupo que funciona como uma barreira a toda a vivacidade dos que pensam pela sua própria cabeça.

Cada geografia e cada época tem os seus heróis, os seus malandros e os seus grupos. Muitas vezes os malandros ganham aos heróis, outras vezes perdem. Os grupos, facilmente manipuláveis, ajudam os malandros pois preferem as personagens às pessoas reais, de carne e osso. 

Neste filme os heróis ganham, mas por um fio. Terão mesmo de se bater com os malandros nas suas condições e com as suas armas. Armas que nunca quiseram usar porque não são as suas. As suas armas são a inteligência, a criatividade e o respeito pelos que os rodeiam.

Tudo neste filme é cinema na sua cor magnífica, nos espaços, no enquadramento, nas sequências, no ritmo, nos diálogos. Nada está a mais, nada.

Percebemos, ao longo das primeiras cenas, o que está em jogo. A rivalidade e a obsessão de Emma por Vienna, que não são correspondidas. O desejo de Emma por Dancing Kid, também não correspondido. E um novo encontro, providencial para os dois, de Vienna e Johnny. 

O filme alerta-nos para nos mantermos atentos e vigilantes. Não basta vivermos em paz e respeitarmos os outros. Porque há sempre outros que não pensam nem vivem assim. Há sempre outros que, não sabendo viver em paz, interferem na paz de muitos.

 

 

 

 

 

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publicado às 15:57

Valores humanos fundamentais: a autonomia

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 30.12.12

O último valor humano fundamental desta série que aqui coloco a navegar neste rio, nesta época de reflexão, é a autonomia. O primeiro foi a liberdade. Mas da liberdade à autonomia tivemos de passar pelos outros valores que a formam: responsabilidade e bondade, ou simples empatia, respeito pelo próximo.

No fundo, autonomia é próprio da maturidade do adulto, que já aqui colocámos a navegar. A autonomia é a resposta da maturidade, é a atitude da responsabilidade. Não depende de pressões ou orientações de outros, depende apenas da consciência do próprio. O adulto autónomo põe os valores da vida em primeiro lugar e só depois considera as outras variáveis.

 

A autonomia é esse patamar, por isso é que existe uma diferença entre liberdade e autonomia: a liberdade é dada ou conquistada, a autonomia é aprendida e ensaiada pelo próprio. Esse ensaio é a fase da rebeldia, a adolescência.

Neste The Little Foxes, igualmente dos anos 40, e que já está a navegar neste rio a propósito da linguagem do poder, vemos como uma rapariguinha aprende com o pai a atitude correcta do respeito pelos outros e ensaia o caminho da autonomia. Vemos a sua coragem ao enfrentar a mãe e o seu ascendente manipulador. A cena final das escadas, a mãe que olha para baixo, para a filha, e esta que olha para cima, para a mãe, é simplesmente extraordinária. É um William Wyler, não esquecer.

Por momentos pensamos que a rapariguinha vai ceder, tão triste pela morte do pai, tão subitamente sozinha, mas a sua voz e o seu olhar dizem tudo. Há os que se apropriam do território, destruindo tudo à sua passagem, e há os que ficam a ver. Ela não vai ficar a ver.

Reparem na última imagem da mãe na janela a vê-la partir, com o namorado, duas figurinhas na noite chuvosa. O seu olhar parece mais assustado do que confiante. Quem afinal vai enfrentar a solidão e os fantasmas do passado e do presente é quem se baseia na linguagem do poder, na manipulação e na ganância.

 

 

 

 

 

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publicado às 21:26

Valores humanos fundamentais: a liberdade

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 15.12.12

Volto a este rio num dia de nevoeiro, real e metafórico. Sei falar de nevoeiros, conheço-os, já me vi metida na sua densidade perturbadora. Quem nasceu neste país e teve de interagir com a cultura do nevoeiro e com os que a abraçaram para daí ter vantagens, poder e visibilidade, mesmo atropelando tudo e todos, sabe até que ponto é difícil defender um valor fundamental, a liberdade de viver e trabalhar sem obstáculos.

Este rio vai dedicar-se a este valor e a outros, como a justiça e o equilíbrio entre direitos e deveres, como uma pessoa simples enfrenta as injustiças, como a verdade acaba por prevalecer, ou como os nevoeiros deste mundo se vão aclarar finalmente à vista de todos.

 

Para navegar esta corrente do rio dos valores humanos fundamentais, e esta é a época certa para falar deles, trago de novo Mr. Smith Goes to Washington.

Aqui vemos um único homem a enfrentar poderosos oponentes. Do seu lado tem apenas um ideal maior do que si próprio, alguns amigos leais, uma secretária experiente que sabe tudo o que há a saber sobre os obstáculos que vai enfrentar.

Aqui também vemos como funciona a linguagem do poder, o tal nevoeiro que persiste.

E finalmente vemos como a verdade e a justiça prevalecem, como tudo se aclara no fim, ainda que à custa de muita dedicação e persistência.

 

 

Mr. Smith Goes to Washington é um Frank Capra, não esquecer. Já navegam neste rio quatro Capras pelo menos, e todos dos anos 30. Frank Capra liga muito bem com o Natal e com os valores humanos fundamentais.

 

 

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publicado às 19:23

Será que alguém ainda se preocupa com a verdade?

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 15.08.11

Há quem procure o fantástico em cinema, eu procuro o autêntico, o verosímil. Seja de forma realista (aproximada do documentário) ou metafórica (aproximando-se da poesia, da pintura, do teatro). O que importa para mim é a busca da verdade (filosófica ou científica). 

Todas as expressões artísticas são, a meu ver, formas de analisar e reflectir a vida, as pessoas, os afectos, o mundo, o universo. Do mais simples ao mais complexo, do menor para o maior. Um simples dia no percurso de um anónimo pode dar um filme riquíssimo em informações sobre a nossa natureza, as nossas dúvidas, angústias, alegrias, tristezas. A questão está na forma de pegar num tema e desenrolá-lo em linguagem própria do cinema.

 

Ultimamente dei por mim a ver filmes sobre a guerra do Iraque: Jogo Limpo (Fair Game), Jogo de Peões (Lions for Lambs), Combate pela Verdade (Green Zone).

São todos construídos de forma muito aproximada do documentário, o que os torna verosímeis e credíveis. E o que lhes dá mais força e impacto. Transportam-nos para aqueles ambientes caóticos, em que a vida se torna repentinamente frágil, descartável, desamparada. É o ambiente de guerra, a sensação de alerta constante, o medo permanente. Nada é estável, seguro, fiável. Nem as informações por detrás da acção das personagens. 

 

Não consigo deixar de pensar que é este mundo caótico que parece estar a alastrar-se sem controle. A todos os níveis: económico, político, social, tecnológico, mental. Quando não se diz a verdade às pessoas, jogando com as suas vidas, sangue e ossos, com as suas famílias e afectos, o que se pode esperar de quem gere o poder?

  

Jogo Limpo acompanha a construção de uma versão da realidade que possa justificar a invasão do Iraque, apanhando pelo caminho uma agente da CIA e o marido, um embaixador. O filme está construído com ritmo, à volta da família e dos amigos mais próximos, de uma secção dos gabinetes da CIA e nas zonas críticas do globo. Subliminarmente pressentimos uma mensagem pedagógica, pelo exemplo das personagens que persistiram na desmontagem da mentira oficial: vale a pena defender os princípios da democracia, o valor da liberdade e do direito à informação.

 

Jogo de Peões evidencia, de forma mais dramatizada aproximando-se da linguagem do teatro, as diversas faces do poder: o político ambicioso que tem nas mãos a capacidade de jogar com vidas para conseguir protagonismo; a jornalista que, na impossibilidade de desmontar a informação fabricada e dizer a verdade, tem um poder relativo, mas enorme, de não voltar a deixar-se manipular; o professor que ainda pode influenciar a vida e o percurso dos seus alunos, desafiando-os a reflectir, a pensar pela sua própria cabeça, a procurar ver por detrás da informação que lhes é dada, a viver de forma consciente, activa, consequente, e não alienada, conformista, decadente. Finalmente, o poder muito relativo dos jovens decidirem da forma mais saudável e criativa, porque condicionados pelos valores dominantes e pelas suas condições de vida. A pressão do ambiente em que se cresce e vive é enorme, e isto é exacerbado na idade impressionável. Magnífica cena e magnífica line do professor, a jogar a última cartada, questionando o aluno promissor se conseguiria viver sem se preocupar com o que se passa à sua volta. A line segue mais ou menos esta ideia: Não voltarás a ter as capacidades que tens hoje, a mesma inteligência e criatividade. Tudo passa demasiado depressa.

 

Green Zone leva-nos ao cenário da guerra e mantém-nos lá: o soldado, a jornalista, o general, o político. Estão lá todos. E tudo gira à volta da verdade. O ritmo das cenas acelera, sincopadamente e sem tempo para reagir. Percebemos que a vida depende dessa capacidade de reacção, da rapidez, da agilidade. Percebemos que nestes cenários as pessoas são tratadas como ratos de laboratório e já se comportam como tal. No final a mentira fabricada é desmascarada mas sentimos que esta foi apenas uma etapa na loucura geral. Nunca subestimar a inesgotável capacidade humana de consumir ficção. É o que percebo na maioria das pessoas: tolerar que lhes mintam, que as enganem, que as iludam, que as embalem.

 

 

 

 

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publicado às 11:35

A fragilidade humana

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 22.03.11

 

Foi uma sensação estranha que me ficou após a visão de Babel. Uma sensação que não consigo situar nem definir. A primeira ideia, talvez a que se sobrepõe a todas as outras, é a incrível fragilidade da vida humana, da vida de cada um. Um segundo é suficiente para alterar tudo, um percurso, um sentido, um equilíbrio. Uma má decisão, uma hesitação, uma precipitação, uma emoção deslocada, e tudo pode alterar-se e caminhar para o caos.

 

A ideia que emerge a seguir é a incrível distracção geral do essencial, e talvez por isso mesmo o tal desequilíbrio que coloca a vida em perigo. Estas duas ideias estão interligadas, portanto. Uma vida mais atenta e orientada pode prevenir muitos erros e perigos.

 

Depois, esta ideia de que as pessoas simples se assemelham mais do que as formas de organização do poder de cada cultura. Interagem de forma mais fluida do que as organizações, procurando sobreviver da melhor forma. As organizações são frias, impessoais e insensíveis. Vêem potenciais inimigos em todo o lado. Não conseguem distinguir os sinais da verdadeira violência de outros sinais, os simples equívocos. Aqui a excepção é a do polícia-detective japonês que mantém a sua humanidade em todas as circunstâncias, mantendo-se do lado das pessoas simples, das suas vidas e das suas tragédias.

 

Finalmente, a ideia final é a do incrível milagre: a sobrevivência da mulher atingida pelo tiro do miúdo e a sobrevivência das crianças no deserto. Que mensagem nos fica aqui? Não sei. Que no meio da maior fragilidade há lugar para o milagre? Ou a mais perturbadora: estamos todos ligados por fios invisíveis, razões que desconhecemos, o grande plano? Ou a mais fácil de todas: um simples acaso, uma arbitrariedade?

 

Este Babel lembra-me muito o Grand Canyon e não é certamente por acaso. No Grand Canyon todos percebem estar ligados entre si, mesmo sem perceber bem porquê. Há um impulso para, de forma grata, tentar tocar a vida de outros, para a tentar compor.

O Grand Canyon iniciou uma nova forma de construir uma narrativa em cinema, em que várias personagens estão estranhamente ligadas, em que as pessoas comuns se apoiam mutuamente e em que sobrevivem da melhor forma aos perigos actuais (que, no fundo, são o retorno dos perigos antigos e universais, a violência humana).

Também aí se encontram duas culturas: a das pessoas comuns e das suas vidas simples e a da linguagem do poder. Interessante a personagem do produtor de cinema que percebe a lógica desse fosso enorme entre ricos e pobres, entre a concentração do poder e a sobrevivência dos restantes, mas que ainda assim, e depois de ter experimentado a violência na própria pele, regressa à promoção da violência nos filmes, aceitando-a como parte da natureza humana.

 

Hoje fico por aqui nesta minha reflexão. Mas Babel não fica por aqui. Não porque o filme me tenha impressionado por aí além, mas porque me provocou imensas questões que gostava de clarificar. Umas têm a ver com as pessoas, as suas vidas simples, outras com as organizações, a linguagem do poder. Outras têm a ver com a narrativa em cinema, o filme-documentário. E ainda outras, com alguns dilemas humanos que gostaria de decifrar ou perceber, mesmo sabendo que isso é uma tarefa que não está ao nosso alcance.

 

A fragilidade humana, pois. Aqui o que precipita tudo é que as personagens em perigo de vida estão fora do seu habitat natural, do seu território. Aqui até mesmo a rapariguinha japonesa, que está no seu território, se sente deslocada, procurando agarrar-se a alguém, a um contacto com o real.

Tudo se desarmoniza e só volta ao equilíbrio quando regressam ao seu mundo habitual e as famílias se reúnem de novo. Reparem que até a imigrante ilegal terá de regressar ao seu mundo original, que já não reconhece como o seu mundo. É certo que no seu caso porque desafiou as regras territoriais.

Sim, há regras territoriais, a lógica das organizações e da linguagem do poder, para além das diferentes condições de vida conforme as limitações da natureza. A natureza também condiciona os territórios: vejam bem as diferenças de territórios desérticos ou pedregosos, onde as pessoas se dedicam à pastorícia e pouco mais, com territórios altamente industrializados. É um contraste que nos choca no início. São séculos de diferença. E no entanto, a mesma desorientação da rapariguinha, o mesmo pedido de socorro.

 

A linguagem do cinema tem regras próprias, mesmo na narrativa. Aqui muito próxima do documentário, embora se distancie nas cenas mais íntimas em que o documentário não entra, apenas o cinema.

As personagens vivem o seu drama, o seu próprio desamparo, sem saber umas das outras. Acompanhamo-las sentindo o seu desamparo, esperando que se salvem. Nessa empatia humana o filme é eficaz. Um exercício muito necessário nos dias que correm. A empatia com o mais frágil que um dia podemos ser nós. Nunca saberemos quando podemos ser nós a procurar socorro, um abrigo. 

Esta ligação entre personagens pode exemplificar a ligação implícita entre todos os que habitam este planeta de territórios tão diversos, de culturas contrastantes, de vidas tão diferentes, mas em que todas as pessoas se irmanam na sua humanidade.

 

 

 

 

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publicado às 11:39

A lógica dos grandes impérios

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 17.09.09

 

Ontem acabei o serão a rever o JFK do Oliver Stone já nem sei em que canal, talvez fosse no Hollywood (não, afinal foi no TVCine 2).

Estranho... raramente esqueço as cenas de um filme, mas só me apercebi que já o tinha visto no diálogo entre o Procurador Jim Garrisom (Kevin Costner) e X, um alto dirigente reformado dos serviços especiais (Donald Sutherland), num parque deserto. Esta foi a cena que tinha registado sem me lembrar a que filme pertencia. Agora já sei.

 

O filme está construído quase em estilo de documentário. Oliver Stone é exímio nisso. Mesmo os actores mais conhecidos (e aqui entra um grupo bem simpático, que já tinha coincidido noutros filmes), entram nos papéis de gente comum (bem, aqui gente muito pouco comum) de uma forma natural.

O filme desmonta as mentiras governamentais, a ficção nacional fabricada para consumo de massas. E ao mais alto nível, para esconder uma conspiração: o assassinato de um Presidente e as suas reais motivações. Oliver Stone também é exímio nisso.

O filme termina em tom quase poético e idealista: um simples Procurador na demanda da verdade. Esta cena no Tribunal, em que aliás o réu é ilibado, lembrou-me de imediato o Mr. Smith Goes to Washington. É quase impossível não vermos as semelhanças entre este Procurador idealista, teimoso e corajoso, e uma das personagens mais enternecedoras (pelo menos para mim) do cinema dos anos 30!

O filme também revela o paralelismo império americano-império romano. E desmonta a lógica dos grandes impérios, como se constroem e como se mantêm. Destruindo todos os que ousam pôr em risco o seu enorme, imenso poder.

Tal como na Roma antiga, em que os imperadores podem ser eliminados, também na nação americana isso acontece com a maior das naturalidades.

O sistema protegeu-se de tal forma que tudo é possível: matar e limpar as provas, destruir e culpar terceiros.  (1)

 

Na lógica dos impérios há o poder e as massas populares. Há a grande mentira consumida como verdade. Há os grandes interesses económicos e a carne para canhão (neste caso, as indústria do armamento e do petróleo, poderosíssimas, e os soldados americanos mortos e estropiados no Vietname).

 

Este paralelismo império americano-império romano é interessantíssimo. Tinha-o visto, pela primeira vez referido, pelo Gore Vidal, numa excelente série de documentários intitulada, salvo erro, O Império Americano. Terá passado na televisão nos anos 90, nesses anos de documentários magníficos...bem, já falei nisso aqui...

Gore Vidal é, ele mesmo, um patrício romano, até vive na Itália (ou vivia, pelo menos, à data do documentário)... Aristocrata até à medula, elegância descontraída. (Envelheceu bem, a meu ver. Vi-o, alguns anos mais tarde, no Gattaca.)

De forma um pouco teatral, de um comunicador nato, vai-nos revelando as semelhanças entre os dois impérios: no assassinato a sangue frio do imperador pelos seus mais próximos e nas suas fases: da expansão, da manutenção do poder a qualquer custo e, por fim, do declínio.  (2)

 

 

 

(1)  Isto é possível porque há sempre imensa gente a gravitar à volta do poder, ávida de uma fatia ou de uma migalha: os conformistas facilmente escravizáveis e os ingénuos que engolem as ficções mais ou menos patrióticas. Reparem nas personagens repelentes que surgem nos interrogatórios, dispostos a tudo, sem revelar qualquer vestígio de culpabilidade. A maioria nem questiona as ordens.

(2)  Vale a pena rever esta série de documentários sobre a América, do Gore Vidal. Gravei-os em cassete, o que me impede de os rever. Mas talvez ainda os consiga encontrar em DVD.

 

 

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publicado às 12:09

 

Kundun ou o percurso do actual Dalai Lama. Mas é muito mais do que o percurso do Dalai Lama, a sua geografia, as montanhas do teto do mundo.

Kundun comoveu-me de uma forma difícil de colocar em palavras. A magia dessa transferência de almas e consciências através dos tempos… O carácter alegre e inteligente da criança… O confronto entre duas realidades, dois mundos, duas lógicas completamente diversas, dois universos paralelos: o Tibete e a China.


Reparem na postura e na fragilidade do jovem Dalai Lama nesse encontro com um Mao gigante, truculento, boçal e psicopata. E o seu olhar sábio – magnífica metáfora! –, para os sapatos do gigante, bem lustrosos. Essa imagem ficou-me para sempre gravada, como a melhor cena do filme e a melhor descrição de sempre dessa sinistra personagem.


O rapazinho sobrevive à fuga para o exílio. Mesmo doente, chega à fronteira com a Índia. Depois disso, um outro percurso, de toda uma vida. Scorsese captou a sua alegria em criança. Ainda hoje é essa alegria que me impressiona, no riso, apesar do cansaço.

No exílio, que ainda hoje se mantém, um rapazinho (ainda o é, de certo modo…) representa a última esperança, toda a esperança de um povo, de uma cultura, de uma filosofia de vida...

 

 

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publicado às 20:24

A revolta dos replicantes contra o seu criador

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 11.07.09

 

Ridley Scott diz que foram sonhos e também coincidências que tornaram tudo possível. Às vezes acontece: encontros felizes, afinidades, cumplicidades.

Desde o argumento, as personagens, os cenários, os actores, o ambiente nocturno e decadente, a música, tudo, tudo, nos transporta para um futuro-parábola da natureza humana: a criação de um mundo onde tudo é traficado, um mundo de novas escravaturas, aqui na figura de replicantes.


Os replicantes e os implantes da memória. Os replicantes e o prazo operacional definido. Os replicantes e a ideia de perfeição funcional. A revolta dos replicantes. São ideias que fascinam.


Em Blade Runner somos contagiados pela espera ansiosa: a entrevista a um dos replicantes; a subida de outro, no elevador, até ao seu criador; a entrada do nosso herói no laboratório do Sebastian; a luta final no telhado; a ansiedade do nosso herói em relação à captura da sua amada.


Também parece que o único pormenor sobre Los Angeles, ainda não antecipado, são os carros voadores. De resto, o filme aproxima-se muito da actual cidade multicultural.

Quanto à existência ou não de replicantes ou Blade Runners… se considerarmos as metáforas… será que não existem?

 

  

 


Obs.: Saiu há tempos o DVD com novas sequências, efeitos especiais, comentários e a história da sua construção. E parece que também já estará disponível uma Edição de Coleccionador com mais outras três versões do filme.

 

Coincidência muito interessante: Descobri uma referência ao Ridley Scott e ao Blade Runner neste post magnífico, Micro-Ensaio Acidental sobre Ficção Científica,no Jardim de Micróbios.

 

 

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publicado às 12:05


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